Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011
Nambuangongo - O Maior Combate

As viaturas aqueciam os motores no cruzamento com a "sanzala" em frente das messes.
Depois de tudo sentado e composto com as armas no colo lá fomos para a "lenha".
Como sempre tinhamos os óculos e os lenços para protejer do pó de pastel ocre.
Fomos deambulando pelas curvas da picada prestando atenção ao mínimo movimento nas encostas.
O perigo está sempre latente nas nossas mentes.
Alguns levam as armas em posição de rajada.
Hoje vamos experimentar uma invenção que fizemos nas oficinas.
" Um tambor para a fita de balas de uma HK21 " (estas armas não são municiadas por tambor metálico por este ser muito pesado mas como as HK21 vão nos suportes das berliets não há problema com o peso).
À medida que nos vamos aproximando do local escolhido para a experiência a nossa tensão aumenta.
Entramos numa zona de morros com árvores esguias e copa lá no alto. Em baixo são arbustos.
Sem parar, começamos os disparos em direcção do morro, na berliet da frente.
O tambor está a funcionar lindamente.
tttttt....tttttttt...ttta.a.aa.aarr...raaattt..tttt..ttta.aa.ata.ta.ta.aa..
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Do morro como de um ninho de vespas explode um festival de som e luz e ficamos momentaneamente preplexos...O morro dispara sobre nós tudo o que conhecemos de guerra ...
Balas, morteiros, dilagramas que rebentam no ar... as viaturas param... o pessoal salta para o chão. Uns escondem-se nas valetas, outros de baixo das viaturas.
É a confusão geral.
Todo o mundo metralha o morro.
Na minha berliet ,que é a última, vejo-me obrigado a ocupar o lugar do atirador da HK21 porque esta encravou e tenho que a desencravar.
No meio da confusão a guerra é ensurdecedora.
Estamos a responder com tudo o temos á mão.
Cada carregador só leva 20 munições e cada um de nós só tem 5 carregadores. Já passou mais de meia hora de combate
Ninguem vê qualquer inimigo...
Juntei alguns atiradores e já não sei quem agarrou o lança-granadas-foguete.
Começamos a rastejar ao longo da valeta da estrada em direcção à frente.
Passámos por todo o pessoal e ultrapassámos a primeira viatura. À medida que avançamos vamos trocando sinais entre nós. Temos a sensação de que há qualquer coisa do outro lado do morro que estamos a contornar.
De facto à medida que vamos fazendo a curva algo nos aparece estranho. Há outras viaturas do outro lado do morro...e facilmente descobrimos que só podem ser dos "nossos" .
Começamos a gritar e a chamar a atenção mas continuamos deitados nas valetas. A pouco e pouco vamos tomando consciência, mútua, do engano.
Ambos pensámos que tínhamos sido atacados...
Passaram vários minutos e começámos a aproximação. É uma alegria...alguns ainda não querem acreditar. Rapidamente fazemos o reconhecimento entre todos e por um grande, muito grande milagre só se verifica um ligeiro ferimento num atirador.

O nosso inimigo é simplesmente um grupo de combate de uma companhia da BTR que tinha estado em actividade.

O resto da estória fica para cada um.....
Sebastião Pires
"crónicas de Nambo 1973"

Nota: Foram feitos 2 tambores que levavam 1.500 balas cada e eram altamente eficazes.
Foram construidos pelo PAD 3035 que tambem se encontrava em Nambu
Ordens superiores vindas de longe proibiram o seu fabrico....



publicado por bcac3869 às 16:11
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