Terça-feira, 30 de Agosto de 2011
Nambuangongo - O Descanso do Guerreiro

Saí do caramachão (Jango ) onde estive sentado nas cadeiras feitas com tábuas de pipas de vinho e dirigi-me para o jantar na messe dos sargentos.No caminho fui pisando as cascas de cocnot que servíam de pavimento. Atravessei o "bar" e sentei-me à mesa com outros camaradas. No meio das estórias do dia lá fomos engolindo o frango com o esparguete habitual. A "Nocal"fazia o acompanhamento.Depois do café e vários cigarros preparámos a sala para ver filmes de 8 mm que nos mandávam para aprendizagem de "estratégias militares ". Nos filmes "Elas e Eles" iam-se libertando das roupas e na maior parte dos casos "Elas" ajoelhavam e rezavam, "Eles" íam pregando, conduzindo e metendo a doutrina em tudo o que era sítio. Ambos, ou à vez, íam cantando ladaínhas de gemidos que mais parecíam que eram sons que vinham das porfundezas do Inferno. Enquanto isto acontecia, nós os fiéis acólitos íamos comentando com risadas e piadas no meio de um ambiente de muito fumo. O quadro era bizarro.Estando a sala a aborrotar, ainda havia curiosos a assistir pelas janelas. Quando tudo acabou e depois de algum descanso no caramachão, lá fomos para as casernas.Olhei do meu canto e observei as osgas a passear no tecto de zinco. Puchei o mosquiteiro e adormeci. zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzEram cerca das duas da manhã e o alarido invadiu o espaço.Um "ataaaaaaaaaaquuuuuee"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Saltámos da cama, a adrenalina invadiu tudo, até os miolos. Não sei se era medo com nervoso miudinho ou se esparguete com frango aos saltos no estômago .Saí em cuecas com as cartucheiras ao ombro e botas desatadas, sem meias. Com a G3 nas mãos nervosas, corri para o abrigo onde já havia outros. Não deu tempo para ver se lá havia lacraus e ás escuras também não se viam.As balas silvavam os céus de tempos a tempos e a sinfonia do matraquear era estranha e conhecida. Tá.. Tá.. Tá ......TTTTTTTTTT.....Tá ...Tá ....Tá..T.As chefias começaram a informar-se e a verificar a situação... Nós, nem um tiro...Caladinhos... Os mosquitos apertavam e lá íamos dando chapadas masoquistas na mira de matar algum...Assim como começou, a guerra ACABOU.......Descobriu-se que afinal eram os G.Es, na Sanzala a celebrarem , com os copos.Quando celebravam atiravam tiros para o ar e alguns nem sabiam para onde...Fomos dormir depois de muita algazarra............................................. Sebastião Pires("crónicas de Nambo passados 32 anos" )Nota:situação identica se passou na noite de passagem de ano! será que foi nessa mesma noite que esta situação se passou?



publicado por bcac3869 às 16:26
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